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Minha pesquisa atual parte da sensação de não pertencer.

A dor de habitar uma casa que resistia em ser minha — ou, talvez, a minha própria resistência em habitá-la.

Demorei quase dois anos para acolher esse lar dentro de mim.

Foi mais uma mudança, entre tantas outras.

Mais um novo que chegou carregado de mistérios, sem que eu soubesse como adentrar esse novo habitar.

Habitar não é apenas ocupar um espaço.

Não se trata só de um problema espacial.

 

Conforme o filósofo Emanuele Coccia, morar não significa apenas estar cercado por qualquer coisa, nem ocupar determinada área no espaço terrestre.

 

Significa criar um vínculo tão intenso com certas coisas e certas pessoas que a felicidade e a nossa respiração se tornam inseparáveis.

Uma casa é uma intensidade que transforma nosso modo de ser e estar — além de todo o resto que faz parte de sua esfera mágica.

(A vida das plantas, 2018)

 

Coccia aprofunda essa noção também em Filosofia da Casa:

“A casa começa com coisas [...] Nunca temos uma relação com o espaço, ou com paredes, temos uma relação com objetos. Nós apenas habitamos as coisas.”

— Emanuele Coccia, Filosofia da Casa. O espaço doméstico e a felicidade (2021)

 

Essa reflexão vai de encontro com a minha experiência.

Habitar, para mim, é aprender a escutar o silêncio das paredes, a criar rituais, a bordar memórias no tempo presente.

É permitir que, aos poucos, a casa me habite também — e escrever nas suas superfícies, não com palavras, mas por meio de objetos, bordados e pequenos gestos que carregam minha história até aqui.

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Fios que contam histórias

 

Os fios me conectam ao que há de mais essencial no fazer. Antes de iniciar cada trabalho, peço licença ao conjunto de materiais, ferramentas e gestos que me acompanham no processo. É nesse tempo do durante que me percebo absorta nas nuances, na força dos tons vermelhos e nas texturas que se deixam construir. O fazer têxtil torna-se, assim, um campo de escuta, onde o corpo sente antes de explicar.

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Sustentar-se é criar raízes

 

Sustentar-se é, antes de tudo, criar vínculos com aquilo que nos antecede. O bordado manual, os fios soltos e as camadas de tecido me fazem reviver memórias e gestos de cuidado que foram determinantes na minha vida. O meu fazer artístico não é apenas processo, mas caminho: um modo de honrar a ancestralidade, criar raízes próprias e sustentar a escolha de permanecer.

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